Flávio Dino autoriza investigação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (18) a abertura de um inquérito policial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, além de dezenas de aliados. A decisão ocorreu após pedido da Polícia Federal (PF), que buscou ampliar as apurações iniciadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, concluída em 2021.
Suspeitas de fraudes e desvios
O inquérito investiga diretamente crimes contra a administração pública. Nesse contexto, a PF apura possíveis fraudes em licitações, superfaturamentos e desvios de recursos. Além disso, os investigadores analisam contratos suspeitos com empresas de fachada e serviços fictícios. Paralelamente, a apuração inclui a incitação a condutas inadequadas durante a pandemia.
Alvos da apuração
Todos os indiciados no relatório da CPI da Covid entraram na lista de investigados. Assim, além de Bolsonaro e seus filhos, figuram nomes como Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Onyx Lorenzoni (PP-RS). Os ex-ministros Ricardo Barros (PP-PR), Ernesto Araújo e Osmar Terra (MDB-RS) também foram incluídos.
Além disso, a investigação atinge jornalistas e influenciadores, como Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio, Bernardo Küster, Paulo Eneas, Richards Pozzer e Leandro Ruschel. Do mesmo modo, empresários como Carlos Wizard Martins, Luciano Hang e Otávio Fakhoury aparecem entre os citados. Finalmente, os ex-assessores presidenciais Filipe Martins e Tércio Arnaud Tomaz completam a lista.
Polícia Federal conduz diligências
A Polícia Federal assumiu as diligências e recebeu prazo inicial de 60 dias para reunir provas. Entretanto, caso haja necessidade, o órgão poderá solicitar a prorrogação. Simultaneamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acompanha o caso e deverá se manifestar sobre os próximos passos.
Relatório da CPI apontou crimes contra Bolsonaro
A CPI da Covid encerrou suas atividades em outubro de 2021 e apresentou relatório final com 1.180 páginas. O documento, redigido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), destacou falhas graves, omissões e condutas consideradas criminosas durante a gestão da pandemia.
Na prática, o relatório recomendou o indiciamento de 66 pessoas físicas e duas jurídicas. Entre elas, Jair Bolsonaro foi responsabilizado por nove crimes, como epidemia com resultado morte, charlatanismo, incitação ao crime, prevaricação, crimes contra a humanidade e falsificação de documentos.
