Celular de Bolsonaro revela rede de aliados e articulações políticas
A Polícia Federal extraiu 7.268 arquivos do celular do ex-presidente Jair Bolsonaro, no âmbito das investigações sobre possíveis fraudes em certificados de vacinação. As mensagens obtidas mostram conversas com aliados estratégicos, articulações políticas e trocas de favores, inclusive internacionais.
“Gabinete do ódio” e aliados próximos
Bolsonaro mantinha diálogo frequente com o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten e o ex-assessor Tércio Arnaud Tomaz — este último apontado como membro do chamado “gabinete do ódio”. Bolsonaro consultava Tércio para verificar a veracidade de informações antes de publicá-las nas redes sociais.
Embora continuasse atuando como assessor informal, Wajngarten foi formalmente demitido pelo PL em maio de 2025. A legenda reagiu à divulgação de mensagens entre ele e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, nas quais ambos zombavam da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Ministros e candidatos em busca de apoio
Outros interlocutores de Bolsonaro incluíam os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia). Gilson buscava apoio do ex-presidente para disputar a prefeitura de Recife. Já Sachsida combinava um encontro na fazenda de um empresário do agronegócio em Ribeirão Preto.
O general Walter Braga Netto, vice na chapa de Bolsonaro em 2022, também aparece nas mensagens. Juntos, os dois discutiam estratégias para manter o apoio do setor agropecuário mesmo após o início do governo Lula.
Tarcísio de Freitas e a pressão da Alesp
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também foi procurado. Bolsonaro alertou o ex-ministro sobre críticas que vinha sofrendo na Assembleia Legislativa paulista. Tarcísio, no entanto, respondeu que não cederia à pressão. Em seguida, os dois mantiveram outros contatos nos dias seguintes, demonstrando alinhamento político.
Valdemar, filhos e aliados no radar
Nas conversas extraídas, surgem ainda nomes como Valdemar Costa Neto, presidente do PL; o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente; e o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), um dos aliados mais próximos de Bolsonaro. Em determinado momento, o STF chegou a proibir Bolsonaro de manter contato com Valdemar, por causa de inquéritos em curso.
Viagem a Israel bancada por aliado
Além dos diálogos nacionais, uma mensagem mostra Bolsonaro pedindo apoio ao então embaixador israelense no Brasil, Yossi Shelley, para entrar em contato com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Shelley chegou a oferecer uma viagem de 14 dias a Israel, com tudo pago, para Bolsonaro e outras três pessoas escolhidas por ele.
Fonte: MSN
