A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável pela fiscalização nuclear, adotou uma resolução em que exige que o Irã forneça “informações precisas e pontuais” sobre seu estoque de urânio altamente enriquecido, bem como garanta acesso de inspetores a seus locais nucleares. AP News
A resolução foi aprovada por 19 dos 35 membros do conselho da AIEA, entre eles Alemanha, Reino Unido, França e os Estados Unidos. AP News Por outro lado, Rússia, China e Níger se posicionaram contra, enquanto outros países se abstiveram. AP News
Urânio a 60% próximo do nível bélico
De acordo com um relatório confidencial da própria AIEA, o Irã possui cerca de 440,9 kg de urânio enriquecido até 60% de pureza — valor que se aproxima significativamente da pureza usada em armas nucleares. AP News Segundo a agência, esse volume poderia ser usado para fabricar até dez ogivas, se convertido para uso bélico. AP News
Impasse e obstáculos
A AIEA afirma que perdeu a chamada “continuidade de conhecimento” sobre parte do material nuclear iraniano desde os ataques israelenses e norte-americanos a instalações iranianas em junho, o que dificultou a verificação completa das quantidades armazenadas. AP News+1
Além disso, inspetores têm encontrando dificuldades para retornar a locais afetados, mesmo após acordos pontuais para restaurar a cooperação. Há relatos de que a presença da AIEA no Irã ainda está limitada e que nem todos os sites nucleares foram reabertos para fiscalizações. UOL Notícias
Resposta do Irã
O Irã criticou a resolução aprovada pela AIEA, classificando-a como politicamente motivada. Segundo representantes iranianos, a pressão internacional busca deslegitimar seu programa nuclear, mesmo diante das justificativas de que as inspeções são necessárias para garantir a segurança. AP News
Para Teerã, a reintegração plena de inspetores não pode ser automática: o país exige garantias relacionadas à segurança de suas instalações nucleares, sobretudo após os recentes bombardeios. UOL Notícias
Contexto mais amplo
- A suspensão ou limitação do acesso da AIEA a instalações nucleares é um grande risco para a transparência do programa iraniano — especialmente quando envolvem materiais enriquecidos a altos níveis. UOL Notícias+1
- Em 2025, houve relatos de que o Irã chegou a impedir a presença de inspetores na totalidade de instalações danificadas por ataques. UOL Notícias
- Analistas apontam que a pressão internacional sobre o Irã pode aumentar, especialmente se os pedidos de supervisão não forem atendidos de forma satisfatória.
