O real mantém trajetória de alta e leva o dólar abaixo de R$ 5,40 pela primeira vez em mais de um ano, mesmo com o impacto do tarifaço e riscos fiscais.

Real mantém valorização apesar do tarifaço

O real passou ileso aos primeiros impactos do tarifaço e dos riscos fiscais elevados. Mesmo diante das adversidades, o dólar caiu para menos de R$ 5,40 pela primeira vez em mais de um ano. Assim, a desvalorização da moeda norte-americana frente ao real já supera 12,5% no acumulado de 2025.

O que sustenta o avanço da moeda brasileira

O real vem se valorizando de forma consistente. Nos últimos dias, o dólar acumulou queda superior a 12,5% no ano, afastando-se dos níveis recordes do fim de 2024. Somente em agosto, a baixa já ultrapassa 3%. Nesta sexta-feira, a moeda fechou a R$ 5,398.

Essa trajetória está diretamente ligada à elevação da taxa Selic para 15% ao ano, maior patamar desde 2006. Como resultado, investidores estrangeiros aumentaram o aporte no Brasil, buscando rendimentos mais atrativos. Segundo a economista Mônica Araújo, “a Selic é o principal fator que atrai os investidores para o país”.

Tarifaço não afeta o desempenho

Mesmo com a sobretaxa de 40% sobre exportações, vigente desde a semana passada, o real manteve o ritmo de valorização. Desde 6 de agosto, o dólar recuou quase 2%, voltando a ficar abaixo de R$ 5,40 após 14 meses. Isso indica que, apesar da medida, a entrada de capital estrangeiro continua expressiva.

Possível reversão no curto prazo

Contudo, especialistas alertam para a fragilidade desse movimento. O economista Danilo Coelho destaca que o capital estrangeiro atual é de curto prazo, diferentemente de investimentos em infraestrutura, por exemplo. Portanto, reduções na Selic ou instabilidade fiscal podem provocar fuga de recursos.

Além disso, problemas internos, como dificuldades em zerar o déficit fiscal, ainda pesam sobre a confiança dos investidores.

Dólar perde força globalmente

O dólar também recua frente a outras moedas fortes. O índice DXY, que compara o desempenho da moeda norte-americana com seis divisas relevantes, caiu 9,44% em 2025. Embora o movimento seja global, o real se beneficia de forma mais intensa, acompanhando outros mercados emergentes.

Parte desse cenário decorre das políticas econômicas de Donald Trump. De acordo com Araújo, a estratégia visa reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos, favorecendo exportações americanas.

É hora de comprar dólar?

Para quem planeja viajar, especialistas recomendam compras fracionadas da moeda. Isso porque é difícil prever o momento exato de menor cotação, já que o valor é influenciado por diversos fatores.

Adicionalmente, o comportamento das taxas de juros no Brasil e nos EUA deve ser monitorado. Possíveis cortes pelo Federal Reserve em setembro podem atrair mais capital ao Brasil, pressionando o dólar para baixo. No entanto, quedas na Selic podem ter efeito inverso.