Fãs se despedem de Preta Gil em velório no Theatro Municipal do Rio
Na manhã desta sexta-feira (25), o público prestou as últimas homenagens a Preta Gil no velório realizado no Theatro Municipal, no Centro do Rio. A cerimônia, aberta ao público entre 9h e 13h, reuniu centenas de fãs, amigos e familiares. Logo após, a Guarda Municipal escoltou o corpo em cortejo de volta ao Cemitério e Crematório da Penitência, na Zona Portuária, onde ocorrerá a cremação.
Para garantir a segurança e a organização, a Prefeitura do Rio montou um esquema especial com bloqueios no entorno do Theatro e instalou um corredor gradeado na Cinelândia para ordenar o fluxo de pessoas. Ainda durante a manhã, o cortejo percorreu o circuito dos megablocos — trajeto que, nesta semana, recebeu o nome de Preta Gil, em uma homenagem da cidade à artista. Com isso, a cantora seguiu, simbolicamente, por um caminho que ela mesma ajudou a construir com seu tradicional Bloco da Preta.
Ao longo da cerimônia, autoridades também prestaram suas homenagens. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma coroa de flores, enquanto a primeira-dama, Janja, representou o governo federal, acompanhada da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Amigos e familiares compareceram vestidos de branco, reforçando o tom de paz e respeito.
Desde as primeiras horas do dia, fãs começaram a formar fila em frente ao Theatro. A cabeleireira Norma Pacheco, por exemplo, saiu de Curicica antes das 5h e levou um cartaz em que homenageava Preta e Gilberto Gil. A doméstica Teresa Marques destacou a alegria que a artista transmitia: “É o mínimo que podemos fazer neste momento”. Já o estudante Tiago da Silva, que saiu de Maricá às 4h, emocionou-se ao lembrar como Preta influenciou sua identidade: “Ela representava a nossa causa, falava a verdade, e me deu coragem para ser quem sou”.

Legado no carnaval e na música
Preta marcou história no carnaval de rua do Rio. Em 2010, fundou o seu bloco, que rapidamente se tornou um dos mais populares da cidade. Em 2017, levou mais de 500 mil foliões às ruas com uma homenagem a Chacrinha. Em declarações à imprensa, definia sua folia como “o ápice do meu ano” e dizia depositar ali toda sua energia.
Ao decidir seguir a carreira musical aos 29 anos, Preta deixou a publicidade e lançou seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter, que trouxe o hit “Sinais de Fogo”, composto por Ana Carolina. A capa, em que aparecia nua, causou controvérsia. Anos depois, em entrevista a Pedro Bial, ela relembrou o impacto da imagem: “Meu pai disse ‘Desnecessário, Preta’, mas ele sabia o que viria depois. E veio”.
Durante a trajetória artística, Preta lançou seis álbuns, incluindo Preta (2005), Noite Preta (2010) e Todas as Cores (2017). Este último contou com participações de Gal Costa, Marília Mendonça e Pabllo Vittar. Em 2021, ela gravou a canção “Meu Xodó” com seu filho Francisco e atribuiu à música um papel fundamental em sua recuperação emocional: “Ele me tirou do fundo do poço”, disse.




Para além dos palcos
Além da música, Preta também brilhou na televisão. Atuou em produções como As Cariocas, Ó Paí, Ó e Vai que Cola. Fora dos holofotes, investiu no empreendedorismo ao se tornar sócia da agência Mynd, que gerenciava nomes como Luísa Sonza, Camilla de Lucas e Pabllo Vittar.
Preta Gil faleceu no último domingo (20), em Nova York, aos 49 anos, em decorrência de um câncer. Mesmo na despedida, mobilizou fãs, autoridades e admiradores com a mesma força que a consagrou em vida. Dessa forma, reafirmou seu legado como símbolo da música, da diversidade e da cultura popular brasileira.

Fonte: https://g1.globo.com/google/amp/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/07/25/adeus-a-preta-gil-no-theatro-municipal.ghtml
