O Projeto Nzila Mujaká: “Quem sabe de onde veio não se perde no caminho”, que integra o edital Pontos de Cuidado da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado (SEADES), foi iniciado nesta quarta-feira (06/03), em cerimônia realizada no Terreiro de Lembá, em Camaçari. O objetivo da inciativa é realizar um trabalho de inclusão social e cuidado das pessoas que fazem uso problemático de álcool e outras drogas, além daqueles em estado de vulnerabilidade social, emocional e econômica.
Emocionado, o coordenador do Projeto Nzila Mujaká e sacerdote do Terreiro de Lembá, Tata Ricardo Tavares, falou sobre o sentimento e a missão da inciativa. “O Ponto de Cuidado Nzila Mujaká é a história de resistência e existência das comunidades tradicionais, em especial dos Terreiros de Candomblé. Pois, os Terreiros de Candomblé já promovem esse cuidado, esse acolhimento, e hoje de forma institucionalizada através do edital da SEADES, o qual visa prioritariamente a redução de danos e impactos sociais, afetivos e humanos nas vidas de todas as pessoas”, explicou.
Na ocasião, o superintendente da SEADES, Gabriel Oliveira, informou que os Pontos de Cuidado tem o objetivo de qualificar ainda mais as instituições/ espaços/ entidades/ organizações que já executam iniciativas de cuidado na Bahia. “Fizemos esse primeiro chamamento público e a ideia é que a gente repita isso, ano a ano, pra fazer com que essa rede se expanda. No total, já temos 8 Pontos de Cuidado, mas a nossa expectativa no decorrer dos próximos 2 ou 3 anos é que isso vá para 30 ou até 50 pontos no Estado”, disse.
Após cerimônia de abertura, como primeira atividade do Projeto, já foi realizada uma roda de formação, para atualização sobre Estratégias de Redução de Riscos e Danos para a equipe permanente da organização, envolvendo todos os colaboradores/membros e parceiros dos espaços que irão receber o Projeto, pois a inciativa irá contemplar tanto Camaçari como – de forma itinerante – comunidades de Salvador, Lauro de Freitas, Itaparica e Santo Antônio de Jesus.
De Salvador, o pastor da Igreja Batista e gestor do Lar Amor e Vida, Paulo Brito, revelou estar ansioso e entusiasmado com o Projeto. “Espero muito que tenha êxito, pois as nossas crianças, adolescentes e a nossa comunidade de forma geral, precisa muito ser assistida, em especial aquelas pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade”. No mesmo sentido segue o alagbá do Terreiro Tuntum Olukotun, de Ilha de Itaparica, Miguel Roque Filho. “É uma demanda da nossa comunidade, não só da minha, mas como também de outros Terreiros de comunidades vizinhas também. A busca por esse apoio, principalmente o psicológico, o psicossocial, com crianças e adolescentes, é grande”.
Levando em consideração a complexidade e amplitude do Projeto, para executá-lo foi formada uma rede de apoio, incluindo instituições, conselhos, organizações sociais e profissionais especializados. O objetivo é a união de forças para que seja oferecida uma assistência e acompanhamento mais completo possível. “O Ponto de Cuidado ele só institucionaliza um projeto que é do dia a dia deste Terreiro, que já inclui e transforma pessoas. Como coordenadora do Sine Bahia já coloco aqui a rede a disposição, tanto o banco de empregos quanto os cursos de capacitação”, disse Branca Patrícia, coordenadora do SINE Bahia/ Camaçari.
A presidenta da Associação Quilombola de Ilha de Maré e mestra em enfermagem e saúde e pedagoga, Celma Jesus de Souza, acredita que a iniciativa já deu certo. “A gente vai estar mais perto, pois algumas pessoas ficam receosas de falar com quem já está ali ao seu lado diariamente, mas tendo parceiros visitando e acolhendo eles vão se abrir. E a forma como esse projeto está sendo elaborado e cuidado é divino. Já deu tudo certo”, afirmou a profissional que integra a rede de apoio do Projeto, assim como, o tenente PM, Tácio Dê. “Essa é uma política que o Estado se coloca como parceiro. O trabalho em rede é um trabalho que só tende a fortalecer os cuidados e é uma necessidade da sociedade. A PM enquanto membro dessa rede está aqui pra trabalhar, pra proteger e pra servir”, pontuou.
O Ponto de Cuidado Nzila Mujaká também está oferecendo acolhimento e atendimento através do (71) 99302-4278. Esse é um contato exclusivo para tratar sobre as questões ligadas a iniciativa.
Entre as instituições presentes estiveram o Conselho Tutelar, as Secretarias Municipais de Saúde e Cultura, Aldeias Infantis SOS do Brasil, SINE Bahia, Conselho Municipal de Saúde, Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado, Conselho de Assistência Social de Camaçari, além representantes dos povos cigano, evangélico e católico.

Ascom Projeto Nzila Mujaká
Anami Brito – Jornalista – (71) 98120-3946
Tata Ricardo Tavares – Coordenador – (71) 99141-8399